O lixo – Uma construção social

RETIRADO DO SITE Instituto Humanitas Unisinos

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O lixo. Uma construção social. Entrevista especial com Rául Néstor Alvarez

A chamada “lixeirização” se estende dos materiais às pessoas. “Os mendigos ficam estigmatizados como sujos, doentes e transmissores de doença. No entanto, esta caracterização é independente de qualquer processo biológico, mas procede do desenvolvimento da construção social do lixo”, afirma o pesquisador argentino.

Para o advogado argentino Raúl Néstor Alvarez, “o lixo não é somente essa montanha de substâncias e coisas fedorentas, úmidas e amontoadas que nos causam nojo”. Na entrevista que aceitou conceder por e-mail à IHU On-Line, ele propõe pensar o lixo como uma relação social de desapropriação, “como uma relação entre partes desiguais que permite a alguns descarregar seus passivos econômicos e ambientais sobre os outros, que compõem o conjunto coletivo social”.

A seu ver, “atirar algo no lixo não consiste em um mero cálculo econômico, mas é uma ponderação subjetiva muito mais complexa na qual entram em jogo nossos desejos ocultos, nossos prazeres e nossas frustrações. Estes aspectos que negamos de nós mesmos, os descarregamos convertendo em lixo certos objetos. Por exemplo, se me sinto gordo e não me gosto assim, então me vingo atirando no lixo as calças que já não me servem. O que fica no cesto de lixo é um aspecto de mim mesmo, que eu renego. De modo que o nojo do lixo, de certo modo, é um nojo de mim mesmo que eu alieno”. E conclui: “o lixo é uma questão de empoderamento popular e cidadão. É uma questão política. Não pode ser deixado nas mãos tão somente de engenheiros e administradores de empresas”.

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Castells vê “expansão do não-capitalismo”

RETIRADO DO SITE Outras Palavras

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Culturas econômicas alternativas teriam sido reforçadas pela crise. Mas sociólogo adverte: sistema não entrará em colapso por si mesmo

Entrevista a Paul Mason | Tradução: Gabriela Leite | ImagemBinho Ribeiro

O professor Manuel Castells é um dos sociólogos mais citados no mundo. Em 1990, quando os mais tecnologicamente integrados de nós ainda lutavam para conseguir conectar seus modens, o acadêmico espanhol já documentava o surgimento da Sociedade em Rede e estudava a interação entre o uso da internet, a contracultura, movimentos de protesto urbanos e a identidade pessoal.

Paul Mason, editor de notícias econômicas da rádio BBC, entrevistou o professor Castells na London School of Economics (Escola de Economia de Londres) sobre seu último livro, “Aftermath: The Cultures of Economic Crisis” (“Resultado: as Culturas da Crise Econômica”), ainda sem tradução para português.

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Ricos têm 30 milhões de crianças pobres

RETIRADO DO SITE Monitor Mercantil

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Ricos têm 30 milhões de crianças pobres

NA FRANÇA ELAS REPRESENTAM 8,8% DA POPULAÇÃO INFANTIL

Os 35 países mais ricos do mundo já têm 30 milhões de crianças pobres. Isso representa 15% da população infantil assistida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo a Unicef, somente na Europa há 13 milhões de crianças pobres.

Para especialistas, o relatório do Unicef é um alerta aos líderes dos países ricos. O estudo foi feito nos 27 países da União Européia (UE), além de Noruega, Islândia, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia e Suíça. Os países escandinavos têm somente 3% de crianças pobres.

O Unicef definiu alguns critérios para definir a pobreza, entre eles, acesso a três refeições por dia, com frutas e legumes frescos, livros, conexão à internet e um local calmo para fazer as atividades escolares.

De acordo com o relatório, um dos casos que chamam a atenção é o da França. Para o Unicef, o governo francês desperdiça dinheiro público. A França é o país que mais investe recursos em políticas familiares: 3,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) atrás apenas da Itália.

Apesar disso, a França ocupa o 14° lugar no ranking de crianças pobres. São cerca de 1,3 milhão de crianças consideradas pobres, o equivalente a 8,8% da população infantil. Do total, a metade mora em locais insalubres e 20 mil crianças não têm domicílio fixo. Embora a Unicef não cite, uma das principais causas é aumento do desemprego depois da crise começada em 2008.

Os sem-história, por Noam Chomsky

RETIRADO DO site Vi o Mundo

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Por Noam Chomsky
Link Original: Truthout
Tradução: Heloisa Villela 

ANIVERSÁRIO DOS “SEM-HISTÓRIA”

Por Noam Chomsky

“George Orwell cunhou o termo “não-pessoa”, muito útil para as criaturas que têm suas existências negadas porque não toleram a doutrina do Estado. Podemos somar o termo “sem-história” para nos referir às “não-pessoas” expurgadas da história em bases semelhantes.

A falta de história das “não-pessoas” ganha destaque nos aniversários de morte. Os importantes são, normalmente, comemorados com solenidade quando é apropriado: Pearl Harbor, por exemplo. Alguns não são, e podemos aprender muito sobre nós mesmos retirando-os da lista dos “sem-história”.

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