Bate papo com os graduandos

Hércules X. F. e Uriel Nascimento são graduandos em filosofia pela UniRio. Download do texto abaixo pode ser feito aqui.

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Hércules Xavier Ferreira: Uriel, bom dia. Diga-me suas observações acerca de Carl Jung, sobre o que ele escreveu etc. O que sabe sobre?

Uriel Nascimento: Ah… Esse misticismo pseudo científico.

HXF: Por aí já podemos ter uma boa ideia de suas críticas…

UN: Um ou outro bom insight, quando ele decide ser freudiano.

HXF: “Freud curtiu isso”

UN: Mas fora isso, tudo que ele escreve só serve a um público de terapias alternativas e coisas assim. Um estudo holístico que mais serve para manter resistências psíquicas e coisas do tipo do que pra descobrir algo. Como, por exemplo, a psicologia transpessoal, que é uma série de blábláblás.

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Suicídio: uma questão de saúde pública em Blumenau

RETIRADO DO SITE Nova E

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Suicídio: uma questão de saúde pública em Blumenau

por Magali Moser, jornalista do Sinsepes < magali.moser@gmail.com >
Publicado Originalmente no jornal Expressão Universitária. Uma publicação do Sindicato dos Servidores Públicos do Ensino Superior de Blumenau

De janeiro a agosto deste ano, Blumenau registrou quase 90 tentativas de suicídio e 11 casos confirmados. As estatísticas alertam para a gravidade do problema

Um mundo em preto e branco se descortina. A comida deixa de ter sabor. Perde-se a noção se é dia ou noite. O desespero beira o insuportável. O mundo de Antônio* ficou sombrio quando ele se descobriu dependente químico. Aos 25 anos, enfrentou uma crise depressiva após o uso de cocaína e álcool e desistiu da vida. Tentou se enforcar com uma corda, dentro de casa, após ingerir veneno. A mulher dele chegou a tempo e evitou o ato.

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SOBRE INTOLERÂNCIA, VIOLÊNCIA E “PSICOPATIA”

RETIRADO DO BLOG do sr. Luis Nassif

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O texto abaixo foi postado, originalmente, por Ricardo B no blog acima citado

NOTA DO GRUPO PERSONNA

Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Criminalidade, “Perversão” e “Psicopatia” do Laboratório de Psicopatologia, Psicanálise e Linguagem do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília

SOBRE INTOLERÂNCIA, VIOLÊNCIA E “PSICOPATIA”

As pessoas têm nos procurado, insistentemente, para que nos pronunciemos sobre como os cidadãos que ameaçavam (ou ameaçam) atacar alunos na UnB poderiam ser classificados. Pensamos que, para além das questões jurídicas, legais e morais inerentes ao caso, como profissionais que estudam e pesquisam a área, não temos outra resposta inicial possível, a não ser: eles são seres humanos com ideias destoantes do padrão apregoado como sendo o vigente e aceitável. Dizemos “apregoado”, pois todo ser humano carrega traços de agressividade e de intolerância dentro de si, mas boa parte os nega veementemente. Os suspeitos, que estão na “ordem do dia das fantasias denegatórias dos normais”, os assumiram em grande escala. Porém, o senso comum (e lamentavelmente também muitos cientistas e acadêmicos) insiste em dicotomizar, cartesianamente, a sociedade em normais ou anormais; sãos e doentes; bons e maus. Durante algum tempo lemos os textos postados no sítio “Silvio Koerich” e ouvimos indignações, críticas e denúncias de alunos e funcionários chocados com o teor de tais mensagens. Para nosso espanto, após a prisão dos supostos autores, temos ouvido frases idênticas às dos acusados. Pessoas que foram ameaçadas pelos supostos suspeitos, repetem as ideias dos mesmos: “têm que morrer, apanharem até ficarem aleijados, tomara que sejam estuprados até a morte”. Há diversos blogs, inclusive com a configuração similar ao deles, pregando o extermínio desses suspeitos. Portanto, não há como classificá-los sem considerar que existe profunda semelhança entre o comportamento deles e o da sociedade que os (r)odeia. As pessoas só se permitem exercer essa violência quando encontram um motivo socialmente aceitável, ao contrário deles. Entretanto, defendem a violência contra eles, pois, num raciocínio infantil, “foram eles que começaram”. René Girard em seu livro “Aquele por quem o escândalo vem” diz: para escapar à responsabilidade da violência, pensamos nós, basta renunciar à iniciativa dela. Mas esta iniciativa nunca é tomada por ninguém. Até os seres mais violentos sempre creem reagir a uma violência que vem de outra pessoa”.

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