Ciência sem… cientistas? A profissão no Brasil

RETIRADO DO BLOG de Agência Gestão CT&I

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Escrito por Camila Cotta

Para Suzana Herculano-Houzel, o fato de não haver regulamentação da profissão cientista atrasa o desenvolvimento tecnológico do Brasil. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos DeputadosNos últimos anos, o Brasil vem acumulando bons resultados em rankings de produção científica. No último levantamento feito pela consultoria Thomson Reuter, entre 2007 e 2011, o País correspondeu a 2,6% da produção científica global. No entanto, esses artigos, que ultrapassam a barreira das 25 mil publicações por ano, não são feitos por cientista e sim por professores.

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Projeto regulamenta profissão de filósofo

RETIRADO DO SITE da Câmara dos Deputados
19/01/2012 13:54

Projeto regulamenta profissão de filósofo

Beto Oliveira
Giovani Cherini
Giovani Cherini: medida vai proteger direitos e tirar do mercado pessoas não habilitadas.

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 2533/11, do deputado Giovani Cherini (PDT-RS), que regulamenta o exercício da profissão de filósofo em todo o País. De acordo com a proposta, órgãos públicos da administração direta e indireta ou entidades privadas, quando encarregados de projetos socioeconômicos em nível global, regional ou setorial, deverão manter filósofos legalmente habilitados em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços. A atuação do profissional ficará condicionada a registro prévio no órgão competente do Ministério do Trabalho.

O texto estabelece que só poderão exercer a profissão:
– os bacharéis em Filosofia;
– os profissionais que já estejam plenamente licenciados até a data da publicação da nova lei;
– os diplomados em curso similar no exterior, após a revalidação do diploma; e
– mestres, doutores e não diplomados que exerçam a atividade há mais de cinco anos.

Também será assegurado o exercício da profissão aos membros titulares da Academia Brasileira de Filosofia e aos por ela diplomados.

Contrato de trabalho
As atividades de filósofo serão exercidas na forma de contrato de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho ou pelo Estatuto dos Servidores Públicos ou de forma autônoma.

“O Estado pode e deve agir para estipular as condições de habilitação e as exigências legais para o regular exercício da profissão de filósofo”, defende Cherini. “Essa medida é de suma importância, pois se de um lado retira do mercado de trabalho as pessoas não habilitadas, de outro, presta justo reconhecimento a esta milenar profissão, que é responsável pela preservação e expansão do pensamento e das ideias”, defende.

Competências
O projeto define como competências do filósofo:
– elaborar, supervisionar, orientar, coordenar, planejar, executar, analisar ou avaliar estudos, pesquisas e projetos atinentes à Filosofia, história do pensamento e ideias em geral;
– ensinar Filosofia, história do pensamento e das ideias em estabelecimentos de ensino, desde que cumpridas as exigências legais;
– assessorar e prestar consultoria a empresas, órgãos da administração pública direta ou indireta, entidades e associações, assim como a pessoas físicas; e
– participar da elaboração, supervisão, orientação, coordenação, planejamento, análise ou avaliação de qualquer projeto global, regional ou setorial relativo à Filosofia.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Paulo Cesar Santos
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara de Notícias

Profissão: Filósofo – Um estudo sobre a profissionalização da Filosofia no Brasil

EXCELENTE ARTIGO de Daniela Maria Ferreira – UFP

Introdução

Este artigo, que deriva de parte dos resultados da tese de doutorado “Conversão e Reconversão: a circulação internacional dos filósofos de origem católica” (UNICAMP, 2007), tem por objetivo traçar a gênese da prática filosófica contemporânea no Brasil, mostrando como a maior parte das regras, normas e hábitos que reinam no ofício do filósofo hoje foram inventados nos últimos quarenta anos, no momento em que se constitui, no Brasil, a reorganização do sistema universitário brasileiro.

O artigo também permite pensar os diferentes recursos sociais associados aos agentes responsáveis pela constituição destes mecanismos, bem como abarcar as lutas e alianças entre eles e seus efeitos na definição da profissão de filósofo atualmente. Neste artigo, filósofo é aquele que tem um título em filosofia e para quem a pesquisa filosófica é um ofício e que, por conseqüência, é formado e remunerado para tanto. Reivindicando essas condições, é que os filósofos oriundos das universidades se apresentam como profissionais em relação aos conjuntos de intelectuais outrora produtores da filosofia no país. Partindo desta definição, traçarei os diferentes mecanismos sociais e institucionais responsáveis pela criação das condições desta prática profissional.

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