Artigo: A não subjetividade contemporânea pt 1

A não subjetividade contemporânea
Uriel Nascimento – UniRio

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Parece-me existir a ideia de que, num dado momento, o limite, a borra mesmo que separa uma subjetividade existente de uma que não existe pareceu se quebrar, fragmentar-se.  Por subjetividade existente e inexistente entendo aqui o movimento que leva o sujeito mesmo a existir no sentido de suporte do qual tudo pode derivar. Se pensarmos, por exemplo, em Descartes no Discurso, o núcleo irredutível da autorreferência (Eu) alcançado pela dúvida só pode sê-lo porque é limitado. Existe um limite máximo que é a dúvida, sendo qualquer tentativa de duvidar da dúvida taxada com absurda porque duvidar apenas confirma que se duvida de algo.

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Heidegger: de Agostinho a Aristóteles

RETIRADO DA REVISTA Kriterion, via SciElo

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Heidegger: de Agostinho a Aristóteles (PDF)

Costantino Espósito

Facoltà di Lettere e Filosofia dell’Università di Bari. esposito@filosofia.uniba.it


RESUMO

O artigo trata da presença de St. Agostinho no pensamento heideggeriano. Agostinho não representa apenas uma fonte importante para a formação do jovem Heidegger (junto com a fenomenologia de Husserl e a filosofia aristotélica), mas também uma tendência fundamental, algumas vezes tácita, que Heidegger procura absorver e metabolizar em seu próprio pensamento.

A interpretação das Confissões – em particular as leituras sobre memoria e temptatio no livro X e sobre o tempo no livro XI, realizadas durante o curso sobre Agostinho e o Neoplatonismo – é a oportunidade que tem Heidegger para tomar algumas decisões teóricas básicas. O homem é um “ser-aí” histórico e temporal que levanta a questão do ser, porque ele é em si mesmo esta própria questão. Enquanto para St. Agostinho o homem é o ente que pergunta diante de um Tu, no pensamento de Heidegger, a questão do homem – a pergunta que é o homem – é entregue ao “nada”, porque o mistério de ser não pode mais se manifestar como uma presença.

A possibilidade de uma confissão, entendida como um diálogo dramático entre o “Eu” e a presença do ser, torna-se para Heidegger o sinal de finitude do “ser-aí” e de impossibilidade do próprio ser. O objetivo deste artigo é mostrar a atenção de Heidegger (em alguns cursos e ensaios escritos no início dos anos vinte) em “salvar” a descoberta agostiniana de inquietudo, interpretando-a a partir da noção aristotélica de physis – o ente que traz consigo o princípio do movimento – como uma cinética autorreferencial da vida.

Palavras-Chave: História da metafísica, Fenomenologia da vida religiosa, Martin Heidegger, Agostinho de Hipona, Aristóteles, “Ser-aí”, Questão do ser, Memória, Tentação, Tempo, Física, Cinética da vida

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