HEIDEGGER E A POLÍTICA NA ALEMANHA DOS ANOS TRINTA

HEIDEGGER E A POLÍTICA NA ALEMANHA DOS ANOS TRINTA
Emmanuel Carneiro Leão

A Academia Brasileira de Filosofia promoveu aos 27 de março do corrente um “Ciclo: Filosofia da Barbárie, Martin Heidegger”. No intuito do evento, publicou um panfleto com o título de “Nazismo hoje na filosofia”. Convidou para palestras os Franceses, Denis Triewalter e Edouar Husson, convidou também para uma “Mesa de Honra”, o Cônsul Geral da França no Rio, o Cônsul Honorário do Estado de Israel e algumas personalidades brasileiras, como a socióloga Barbara Freitag, o diplomata Sérgio Paulo Rouanet e outros.
Enviou para minha residência o dito panfleto com remetente desconhecido, não sei com que propósito. Não importa, porém. Pois todo propósito, qualquer que seja, é sempre digno de ser pensado em suas raízes de sustentação e condições de possibilidade. Nestes mais de meio século de professor de Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, deparei-me, mais de uma vez, com a pergunta: “é possível ver nazismo na Filosofia de Heidegger?”

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Heidegger: de Agostinho a Aristóteles

RETIRADO DA REVISTA Kriterion, via SciElo

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Heidegger: de Agostinho a Aristóteles (PDF)

Costantino Espósito

Facoltà di Lettere e Filosofia dell’Università di Bari. esposito@filosofia.uniba.it


RESUMO

O artigo trata da presença de St. Agostinho no pensamento heideggeriano. Agostinho não representa apenas uma fonte importante para a formação do jovem Heidegger (junto com a fenomenologia de Husserl e a filosofia aristotélica), mas também uma tendência fundamental, algumas vezes tácita, que Heidegger procura absorver e metabolizar em seu próprio pensamento.

A interpretação das Confissões – em particular as leituras sobre memoria e temptatio no livro X e sobre o tempo no livro XI, realizadas durante o curso sobre Agostinho e o Neoplatonismo – é a oportunidade que tem Heidegger para tomar algumas decisões teóricas básicas. O homem é um “ser-aí” histórico e temporal que levanta a questão do ser, porque ele é em si mesmo esta própria questão. Enquanto para St. Agostinho o homem é o ente que pergunta diante de um Tu, no pensamento de Heidegger, a questão do homem – a pergunta que é o homem – é entregue ao “nada”, porque o mistério de ser não pode mais se manifestar como uma presença.

A possibilidade de uma confissão, entendida como um diálogo dramático entre o “Eu” e a presença do ser, torna-se para Heidegger o sinal de finitude do “ser-aí” e de impossibilidade do próprio ser. O objetivo deste artigo é mostrar a atenção de Heidegger (em alguns cursos e ensaios escritos no início dos anos vinte) em “salvar” a descoberta agostiniana de inquietudo, interpretando-a a partir da noção aristotélica de physis – o ente que traz consigo o princípio do movimento – como uma cinética autorreferencial da vida.

Palavras-Chave: História da metafísica, Fenomenologia da vida religiosa, Martin Heidegger, Agostinho de Hipona, Aristóteles, “Ser-aí”, Questão do ser, Memória, Tentação, Tempo, Física, Cinética da vida

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Amor e liberdade em Heidegger

RETIRADO DO site SciELO (Revista Kriterion)

Amor e liberdade em Heidegger (PDF)

Acylene Maria Cabral Ferreira

Professora do Departamento de Filosofia da UFBA. acylene@ufba.br


RESUMO

Nosso objetivo é mostrar, a partir das obras Ser e Tempo e Seminários de Zollikon, a constituição ontológica do amor como a afinação (Stimmung) fundamental para a convivência da presença (Dasein). Nossa hipótese sustenta-se no pressuposto que a copertença do amor (abertura fundamental para o outro) e da liberdade (deixar-ser o outro) consiste em uma modificação do existencial da disposição e expressa a unidade e a circularidade ontológica do ser-no-mundo. Pretendemos mostrar ainda que a solicitude (a abertura do ser-com) é a condição de possibilidade para a constituição ontológico-existencial da afinação do amor. Centrados no texto Sobre a essência da verdade, nosso intuito é sublinhar que a liberdade é também uma modificação do existencial da disposição, ou seja, uma afinação, e enquanto tal é o fundamento ontológico para o desvelamento do modo próprio (eigentliche) de ser da presença. Nesta perspectiva, podemos afirmar que a afinação da liberdade precede e penetra a afinação do amor. Isto significa que a afinação do amor se funda na afinação da liberdade e que esta ressoa naquela, o que nos permite dizer que elas são co-originárias.

Palavras-chave: Amor, liberdade, afinação, solicitude, ser-com, disposição.

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A angústia, o nada e a morte em Heidegger

RETIRADO DO site SciELO

A angústia, o nada e a morte em Heidegger (PDF)

Anguish, nothingness and death in Heidegger

Marco Aurélio Werle1


RESUMO

O artigo investiga a relação entre os conceitos de medo, angústia, nada e morte na filosofia da existência de Heidegger. Pretende-se apontar para o papel destes fenômenos existenciais na passagem do ser-aí desde a inautenticidade para a autenticidade de seu ser.

Palavras-chave: Heidegger; existencialismo; filosofia; ética.


ABSTRACT

This paper investigates the relationship between the concepts of fear, anguish, nothingness and death in Heidegger’s philosophy of existence. It points to the role of these existential phenomena in the transformation of “Dasein”, from the inauthenticity to the authenticity of its Being.

Keywords: Heidegger; existentialism; philosophy; ethics.


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IV Jornada Heidegger no Rio de Janeiro

RETIRADO DO BLOG Filosofia Ocupada

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Datas e Local:

19 a 22 de março de 2012
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio
Rua Marquês de São Vicente, nº 225 – Gávea – Rio de Janeiro-RJ
Edifício Cardeal Leme – Auditório do Decanato

O Núcleo de Estudos sobre Existência (NEXT/UERN), em parceria com o Núcleo de Estudos em Ética e Desconstrução (NEED/PUC-Rio), tem a satisfação de promover e convidar toda a comunidade acadêmica a participar da IV Jornada Heidegger, que este ano, com o tema “Horizontes”, será pela primeira vez sediada na cidade do Rio de Janeiro. Nesta edição, o evento ainda contará, também pela primeira vez, com as participações do professor Dr. Emmanuel Carneiro Leão (IFCS/UFRJ, Brasil) e da professora Dra. Márcia Schuback (Södertörns Högskola, Suécia).