Escola e cidadania

RETIRADO DO SITE Carta Capital

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A Educação é cláusula pétrea do credo iluminista-republicano. Não há de existir cidadania sem educação universal e pública. Sem ela estariam seriamente arriscadas a liberdade e a igualdade. O ideal da educação para todos nasceu comprometido com o projeto de autonomia do indivíduo, o que supõe capacidade de compreensão do cidadão, enquanto titular de direitos e fonte do poder republicano.

Os fortes clamores que circulam pelo Brasil e pelo planeta em prol da educação quase sempre estão inspirados numa versão bastarda dos valores originais do humanismo iluminista. Eles sublinham as exigências impostas pelas engrenagens da economia. A chamada Teoria do Capital Humano, por exemplo, cuida de atribuir os diferenciais de crescimento entre países e o agravamento das desigualdades à maior ou menor eficácia dos sistemas educacionais. A experiência dos países asiáticos (Japão, Coreia, Taiwan, China) é invocada como a comprovação da importância da educação para o crescimento acelerado da produtividade da mão de obra, aquisição de vantagens comparativas dinâmicas e melhor distribuição de renda.

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Educação, histórias e sentido em Hannah Arendt

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Por Vanessa Sievers de  Almeida – USP
A Crise
Durante muito tempo autoridade, religião e tradição garantiram um chão estável para a ação e o pensamento humanos. As pessoas tinham uma referência comum no seu modo de ver o mundo e de entender seu papel neste. Isso não significa que o mundo era bom ou justo, mas que mesmo havendo conflitos, todas as partes se remetiam e legitimavam seu ponto de vista a partir de um mesmo solo.
O mundo moderno perdeu as referências comuns: Sem mais nada sagrado nem auto-evidente, diz Arendt, somos confrontados de novo “com os problemas elementares da convivência humana”.