Escola e cidadania

RETIRADO DO SITE Carta Capital

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A Educação é cláusula pétrea do credo iluminista-republicano. Não há de existir cidadania sem educação universal e pública. Sem ela estariam seriamente arriscadas a liberdade e a igualdade. O ideal da educação para todos nasceu comprometido com o projeto de autonomia do indivíduo, o que supõe capacidade de compreensão do cidadão, enquanto titular de direitos e fonte do poder republicano.

Os fortes clamores que circulam pelo Brasil e pelo planeta em prol da educação quase sempre estão inspirados numa versão bastarda dos valores originais do humanismo iluminista. Eles sublinham as exigências impostas pelas engrenagens da economia. A chamada Teoria do Capital Humano, por exemplo, cuida de atribuir os diferenciais de crescimento entre países e o agravamento das desigualdades à maior ou menor eficácia dos sistemas educacionais. A experiência dos países asiáticos (Japão, Coreia, Taiwan, China) é invocada como a comprovação da importância da educação para o crescimento acelerado da produtividade da mão de obra, aquisição de vantagens comparativas dinâmicas e melhor distribuição de renda.

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Educação, histórias e sentido em Hannah Arendt

RETIRADO DO BLOG A Procura
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Por Vanessa Sievers de  Almeida – USP
A Crise
Durante muito tempo autoridade, religião e tradição garantiram um chão estável para a ação e o pensamento humanos. As pessoas tinham uma referência comum no seu modo de ver o mundo e de entender seu papel neste. Isso não significa que o mundo era bom ou justo, mas que mesmo havendo conflitos, todas as partes se remetiam e legitimavam seu ponto de vista a partir de um mesmo solo.
O mundo moderno perdeu as referências comuns: Sem mais nada sagrado nem auto-evidente, diz Arendt, somos confrontados de novo “com os problemas elementares da convivência humana”.

Outros valores, além do frenesi de consumo

RETIRADO DO SITE Outras Palavras

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Outros valores, além do frenesi de consumo


Eduardo Viveiros de Castro dispara: iludido por noção ultrapasada de progresso, Brasil pode desperdiçar oportunidade única de propor novo modelo civilizatório

Entrevista a Júlia Magalhães

É preciso insistir no fato de que é possível ser feliz sem o frenesi de consumo que a mídia nos impõe”, reafirma o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, à jornalista Júlia Magalhães. Para ele, assim como para Fernando Meirelles e Ricardo Abramovay – primeiros entrevistados da sério Outra Política – a felicidade pode ter outros caminhos. O novo diálogo é parte da série que o Instituto Ideafix produziu por encomenda do IDS (Instuto Democracia e Sustentabilidade), e que o site publica na seção especial “Outra Política“.

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Greve expõe problemas no processo de expansão do ensino superior

RETIRADO DE Carta Maior

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Greve expõe problemas no processo de expansão do ensino superior

A greve deflagrada pelos professores do ensino superior, na semana passada, segue forte, com adesão rápida e crescente. Para o Comando Nacional de Greve do Andes-SN, a surpreendente mobilização se ancora no fato de que esta é uma greve atípica, centrada não na luta mais imediata da categoria por reajuste salarial, mas em questões conjunturais que afetam o conjunto da comunidade acadêmica.

Najla Passos

Brasília – A greve deflagrada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), na quinta (17) passada, segue forte, com adesão crescente. Já são 42 universidades paradas, além de dois institutos e de um centro de formação técnica. Duas outras instituições já oficializaram ingresso no movimento a partir da próxima segunda. Os servidores técnicos-administrativos discutem a adesão e assembleias estudantis representativas, em todo o país, referendam o processo. Cenário raro em tempos de desmobilização do movimento sindical.

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A geografia da violência

RETIRADO DO SITE Carta Maior

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Postado por Saul Leblon às 23:11 em 08/02/2012

A geografia da violência

Quando escreveu ‘Geografia da Fome’, em 1946, Josué de Castro, sofreu pressões para eliminar a palavra incômoda do título de sua maior obra. Contrariando a elite melindrada e gelatinosa, deixou um clássico que desnaturalizou a fome brasileira, isentando ‘jeca tatus’ e ‘nortistas’ de serem os responsáveis pela própria desnutrição. A partir daí o tema ganhou fórum de desafio político, decorrente de estruturas de poder que aboliram a escravidão, mas mantiveram direitos e riquezas concentrados na casa-grande.

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O livreiro da favela

RETIRADO do blogue do Luis Nassif

(originalmente da) Istoé

O livreiro da favela

Com um acervo de quase quatro mil livros, Otávio Jr., morador da Vila Cruzeiro, no Rio, abre a primeira biblioteca do Complexo do Alemão

Débora Rubin

ACASO

Um livro encontrado no lixo despertou nele a vontade de ler

Ele quase virou jogador de futebol. Foi por pouco que a trajetória de Otávio Jr. não repetiu a saga de muitos meninos de comunidades carentes do País. A habilidade com a bola foi rapidamente substituída pelo amor às letras. Sorte dele e dos quase 150 mil moradores dos Complexos do Alemão e da Penha, favelas do Rio de Janeiro que ficaram marcadas pela invasão de forças de segurança no final do ano passado, dando fim ao império dos traficantes. Em vez de amargar nas peneiras dos grandes times, sonhando ser um novo craque, Otávio Jr. se tornou um obstinado difusor da leitura. Há seis anos, ele criou o projeto Ler é 10 – Leia Favela, uma biblioteca itinerante que circula pelos dois complexos. Agora, com o apoio de duas grandes organizações, ele está transformando um antigo forró local em uma biblioteca fixa que contará com um acervo de quase quatro mil livros, fruto de doações de editoras e de colaboradores. O carioca de 27 anos também é um aspirante a escritor. Na semana passada, ele lançou seu primeiro livro, “O Livreiro do Alemão” (Panda Books), no qual conta sua trajetória.

Nascido e criado na Vila Cruzeiro, de onde saiu o jogador Adriano, Otávio se apaixonou por literatura quando, ainda menino, encontrou um saco de lixo cheio de brinquedos. Enquanto os amigos se digladiavam pelos achados, ele viu uma edição velha e surrada do livro infantojuvenil “Don Gatón”. Foi abduzido para o mundo das letras, de onde nunca mais voltou. Dali em diante, saiu pela vizinhança pedindo livros emprestados. Paralelamente, começou a escrever. Sobretudo quando o fogo cruzado entre traficantes e policiais ficava intenso no morro. Enquanto sua biblioteca particular crescia, Otávio começou a escrever peças teatrais que ele mesmo representava em escolas da região. Cobrava uma entrada modesta, de R$ 1, e exercitava sua verve artística. No final do mês, ganhava uns trocos e ajudava a mãe com as despesas.

O desejo de se tornar escritor o fez tomar atitudes ousadas, como ir até a casa de autores como Ziraldo e mandar suas histórias para as editoras. Ouviu muito não e levou porta na cara até o dia em que um gentil dono de gráfica topou rodar seu livreto gratuitamente. Por causa de sua ambição – fazer sua comunidade ler –, Otávio já participou de dezenas de eventos literários, viajou por países da América do Sul e dá palestras em todo o país. Seu maior orgulho, entretanto, é ter introduzido a leitura na vida de dez mil crianças e adolescentes. Em sua missão quixotesca, consegue índices de leitura acima da média nacional. “Enquanto o brasileiro lê quatro livros por ano, há crianças aqui lendo isso em uma semana”, orgulha-se.

No ano passado, durante a invasão no complexo, Otávio deixou os recortes de jornal com reportagens sobre seu trabalho em cima da mesa caso alguém invadisse sua casa. “Se eles vissem meus computadores e equipamentos, podiam facilmente achar que era tudo roubado”, diz. Hoje, celebra, a comunidade dorme em paz. E, no que depender dele, ao embalo de algum conto de fadas ou épico literário.