Opinião sobre a Geração Y


RETIRADO DO FACEBOOK de Juliana Szabluk

Eterna viajante entre o mundo da geração X e Y, não consigo mais suportar a repetição das Gerações Silenciosa, Baby Boomers e X de que os jovens estão cada vez mais preguiçosos para a leitura, cada vez mais rasos em seus vídeos, frases de efeito e compartilhamento infinito de clichês entre aspas.

“Os especialistas” escrevem em seus laudos médicos e manchetes de jornais que os jovens atuais são a Geração Perdida, a Geração da Crise de Significado e prosseguem com as aulas enfadonhas e com a luta pelos conceitos decorados e cobrados ipsis litteris em provas inúteis.

E era isso. Desculpa, meu jovem.
Que ironia!

Os “grandes mestres” acabam se tornando os maiores inimigos do conhecimento e enterrando precisamente aquilo que escolheram como profissão. Quem mergulha nesse universo Y para compreender o que acontece além teoria, enxerga muitos views em conferências cada vez mais dinâmicas e dialogais, comentários em links de notícias, murais de amigos etc, sobre assuntos incontáveis, totalmente contra a lógica do “especialista”, lógica que tanto cegou a modernidade e que nos coloca nesta visão sempre pontual e rasa de tudo atualmente.

São estas novas formas de aquisição de conhecimento as geradoras das tais frases de efeito (um aforismo amador talvez), dos posts e de suas discussões no facebook, de suas ideias e argumentações em sala de aula. Se a hierarquia do professor não é mais intocável e os alunos questionam o suposto mestre quando discordam (e como questionam… e como enfrentam…), o fazem com base em algo. Com base em quê, se são preguiçosos e só leem e falam besteira?

Não vejo uma geração Y preguiçosa para o conhecimento. Vejo uma geração X apavorada em ter que guiar e aprofundar um jovem autodidata, que obviamente não sabe os caminhos para “se encontrar”, por quais obras rumar ou como transformar seu questionamento latente em uma busca positiva para ele mesmo. Uma geração pânica por ter que sair de trás da pilha de livros e admitir que não é possível saber tudo de sua área, porque o Google sempre saberá mais, e que o papel atual dela é ser humana, é dialogar e construir, guiar e motivar e dar não o que sobra (informação na web), mas sim o que falta: motivação para aprofundar a tela, para LIGAR citação e contexto, contexto e livro, livro e vida. Tudo isso que a própria geração X já esqueceu como se faz.

-> O ensino/aprendizado tradicional pode estar sendo substituído por causa de uma vontade muito mais rica e urgente do que meramente obter informação ou conhecimento, por algo imensuravelmente POSITIVO: uma vontade pulsante por diálogo vivo, um retorno da comunidade e da filosofia em seus mais básicos porquês.

Não é à toa o sucesso inegável de conferências e de universidades baseadas em conversa, o boom de autores que criam vídeos e filmes expondo suas teorias (diálogo indireto, mas diálogo), a humanização dos jornalistas nas mídias e nos próprios impressos, com perfis pessoais em NY Times, Guardian, etc. O disseminador de conhecimento anônimo, desumano, fonte maquinal de informação, distante e frio está morrendo. Independentemente do meio ou da profundidade do assunto a ser abordado, o diálogo clama para brotar.

Para um verdadeiro educador, comunicador ou pensador, não poderia haver uma era mais sensacional do que esta em que é possível ver o impacto de cada frase no receptor (na VIDA do receptor!!), de convertê-lo em emissor e poder aprender, conjuntamente, a retomar a mais importante e esquecida base do conhecimento: a motivação pela mais legítima comunicação humana.

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